Do luto à luta: resistir e pautar a política nacional

O cruel assassinato de Anderson Gomes e Marielle Franco fez com que a comoção do povo se traduzisse em atos por todo o país no dia seguinte a sua morte. Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Salvador... diversas cidades manifestaram sua indignação pelo ato político do assassinato da importante lutadora carioca. Dia 20, novos atos são chamados para todo o país.

A trajetória de Marielle Franco é semelhante a muitos camaradas e companheiros de luta por todo o Brasil. Mulher, negra, trabalhadora, de comunidade. Conseguiu realizar os estudos em Universidade Federal e dedicou-se ao candente problema social da militarização da sociedade carioca. Mais que isso: entregou-se a militância pelos direitos humanos de todos e todas no Rio de Janeiro. O que, para incompreensão da direita, incluem as famílias de policiais que também morrem na guerra que apenas delimita os novos rumos do tráfico no estado.

Seu assassinato é um ato político na tentativa de criar um limite: não venham até aqui. Não ousem avançar sobre estas pautas. Que mulheres negras e trabalhadoras não ousem escolher a militância, os direitos humanos, o socialismo.

A revolta contra este crime que nos assolou é, ao mesmo tempo uma resposta a isso (sim, escolheremos a militância, sim escolheremos as pessoas em detrimento do capital, sim escolheremos o socialismo), mas é, também, uma revolta contra a ordem das coisas atuais. Teria este crime ocorrido sem a escalada absurda dos ideais de extrema-direita? Teriam os assassinos considerado matar Marielle se não fosse a própria intervenção militar no Rio de Janeiro estabelecido a violência estatal quase que como uma ideologia? Um mês depois de um general dizer que os militares precisavam trabalhar sem serem incomodados por surgir uma "nova comissão da verdade", temos em nossas mãos o assassinato de uma lutadora. É coincidência? 

A classe trabalhadora por vezes não tem tempo de passar pelo luto, passa direto à luta. Neste caso, o povo brasileiro está de parabéns de ter se mobilizado, inclusive em massa nos atos da última semana em diversas cidades espalhadas pelo Brasil. Precisamos, a partir deste momento, continuar a mobilização. Pois sabemos que outro aspecto da indignação pelo crime é a indignação pelo atual sistema político e econômico do país. O descontentamento é contra as medidas antipovo adotadas pelo governo golpista de Temer e seus asseclas em diversas capitais e governos estaduais. O descontentamento é pela utilização das forças armadas em uma intervenção militar em um importante estado de nosso país.

Todos os lutadores sinceros, progressistas e democráticos devem se aliar neste momento em que a política golpista e a intervenção militar mostram-se abaladas pelo ocorrido. A greve dos professores em São Paulo (que merece todo nosso apoio) é um dos tipos de mobilização possível para que a classe trabalhadora saia das pautas reativas e comece a pontuar sua política. Não queremos militares na rua. Queremos empregos estáveis e qualidade de vida.

Que a voz de Marielle Franco se torne milhares. Que sua luta sirva de inspiração.

MARIELLE, PRESENTE!

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Watching: Convocatória II SENUP
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